Ontem foi daqueles dias que nos faz pensar que o ser humano é igual em qualquer parte do mundo. Sempre que penso a respeito, tenho opiniões muito variadas, tem dias que acho que parece que cada um veio de um planeta, e outros que nos faz parecer filhos do mesmo pai.
Já era quase noite, saí do meu quarto em direção ao banheiro. Para isso eu preciso atravessar a cozinha. Eis que, num rápido relance, conheço meu novo room mate! O danado do rato sumiu com o meu grito, aparentemente fugiu para o banheiro, enquanto eu, gritando, fugi para o meu quarto e me tranquei, num instinto nonsense. Essas horas estar longe é beem ruim. Eu não sou uma pessoa fresca, mas foi algo que realmente me tirou do eixo. Queria muito falar com alguém, por mais que isso não ajudasse em nada, mas não tinha ninguém online… a primeira pessoa que apareceu foi a Pri, que mora em Barcelona, que morreu de rir com a história! Como eu senti que não estava aliviando o pavor, resolvi tomar uma atitude! Mandei uma mensagem para o proprietário: there’s a rat on the kitchen. Ele respondeu (juro que não é piada!): keep the door closed, please! Contei o drama para o Paulo, meu amigo desbravador da China; ele até achou bom, estava achando muito moleza e agradável a minha vida em Xangai, comparado com o que ele passara!
Eu morei minha vida inteira no Pacaembu e de quando em quando aparecia um rato para comer a comida do Dito. Não sou ingênua, acho que existe mais rato do que gente no mundo, mas justo no meu apartamento tão gostosinho, em Xangai e sozinha?!
A verdade é que eu não segui o conselho do proprietário a risca… quando acordei, contei em um misto de chinês, desenho e mímica meu drama para a empregada, que com a maior tranquilidade, me mostrou de onde o danado viera! Quando olhei para a minha cama, vi uns pedacinhos pretos!!! Cocô de rato! Ahhhhhhh!
Liguei para o proprietário, pedi para a empregada falar com ele. Ele surgiu aqui com um outro senhor, para fechar as possíveis portas de acesso dos ratos. Dizem que não se vende mais veneno de rato por aqui. Duvideodó! Aí pedi umas ratoeiras. Ele comprou uma espécie de adesivo ultra potente que cola o rato na hora que ele pisa. Acabei de instalar a arapuca do lado de lá da porta e me fechei aqui no meu quarto, de onde escrevo. Quem sabe amanhã eu encontre novamente meu amigo, quem sabe ele vira churrasquinho na mão de algum chinês…
Brincadeiras a parte, os chineses foram (e tem sido, em geral) pessoas muito bacanas, prestativas e divertidas. Me vi sendo cuidada pelo sr Yang (proprietário) e pela Zhao (empregada) de uma forma incrível. Queria poder dizer a eles como eu sou grata e como eles têm tornado a minha vida na China algo que eu goste tanto. Para isso vou precisar aprender mais mandarim. Por enquanto, me contento dando goiabada…